Hoje desiludiste-me. Foi a primeira vez que tal coisa aconteceu. Ou pelos menos que eu sentisse de forma tão forte.
E fizeste-o como se não me conhecesses. Como se não soubesses que eu agora vou jogar à defesa e me vou afastar. Como se não soubesses que a próxima vez me olhares nos olhos, que esperemos que seja só daqui a um mês, irás ver desapontamento. Irás ver crítica. Irás ver desilusão. Como se não soubesses que agora já não vou querer ir dormir a tua casa. Já não vou querer os teus beijos nem o teu amor. Vou deixar de fazer planos e excluir-te da minha vida. Porque é assim que eu funciono. E tu sabia-o tão bem. E, o pior de tudo, é que não consigo escrever ou pensar sequer em tal coisa sem deixar cair um lágrima. Eu, eu! Que nunca choro. Desiludiste-me. Tanto. E eu que até já te tinha comprado um dos livro de que te falei e que tu querias tanto ler. Até já tinha escrito uma carta e a tua morada.
Faz-me só um favor. Trata bem da flor que plantámos em conjunto. Trata dela como se fosse a única coisa que te resta de mim. Guarda as flores e as cartas que te dei. Guarda cada palavra que te disse ao ouvido e cada toque.
Pode ser que daqui a uns meses o revivamos outra vez. Quando os nossos olhos se voltarem a cruzar e, por força dos sentimentos, as nossas bocas não resistam. Daqui a um mês estou contigo. Vou ter que estar. Mas não em tua casa. Vou estar contigo na rua, no meio de amigos e desconhecidos. De uma multidão. E nessa multidão, talvez nos compreendamos uma à outra.
Até lá, prometo que vou conservando a tua amizade. Foi sempre por ela que fiz qualquer coisa. Conservo a amizade, a admiração e, quem sabe, algum do carinho.
E também me vou mantendo informada de como é que tu estás. Se estiveres muito mal nalgum momento, prometo que vou ter contigo. Gosto mais de ti do que do meu orgulho. Não que do meu coração mas que do meu orgulho, sim. Porque, afinal, eu nunca te vou deixar desamparada. Mesmo sem tu o saberes.
Passei por aqui e vou ficar de vez em quando, porque gosto de te ler, de me (re)ver.
ResponderEliminarAbraço
Que forte!
ResponderEliminarNão consigo explicar mas... Não demonstras gostar? Vives demasiado cada dia? Difícil de compreender mas gosto, em parte.