O amor para mim não é conforto. O amor para mim não é segurança.
O amor para mim é loucura, é sofrimento, é instintivo, é repentino, é passageiro.
Nunca fiz planos com amores. Nunca fiz promessas. E no entanto vivi todos os ditos "momentos românticos".
É-me difícil expor a minha "versão" de amor.
Neste momento, por exemplo, tenho os dois amores da minha vida comigo. E não estou a exagerar. E amo-os, aos dois. Amo mesmo. E por os amar, não consigo optar. Ambos têm a noção disso. Que os amo e não consigo optar. Não se importam. Porque isso sim, é amor. É saber que não se é principal, que há uma segunda hipótese, um outro ser amado. E não ter ciumes. Importar-se apenas consigo. Com ter a sua pessoa consigo.
Amor é fazer viagens malucas de horas para se estar apenas um dia, ou menos, com alguém. Amor é ficar dias a chorar por alguém e quando esse alguém diz "vem ter comigo" a pessoa ir. Ir porque a ama e quer estar com ela. Quer-se sentir amado.
Amor são cartas românticas. Amor é abdicar de quase tudo por um dia. Um único dia. Amor é instintivo, bolas. É irracional. É inexplicável. É hoje sim, quero. Amanhã logo se vê. É fazer planos que não sejam revelados. Planos que tentamos apagar diariamente.
Amor é acordar a outra pessoa com beijos e essa outra pessoa perguntar "o que queres para o pequeno-almoço?". Amor é nem querer pequeno-almoço.
Amor é secreto, é escondido. É ninguém saber. Amor é fugitivo.
As pessoas conseguem viver sem os seus amores. Não são assim tão dependentes. O amor é passageiro. É sofrer sozinho, às escondidas. No entanto, ninguém é feliz sozinho. E as pessoas precisam dos seus amores para serem felizes.